A ministra Maria Elizabeth Rocha, presidente do Superior Tribunal Militar (STM), tomou posse como membra da Academia Brasiliense de Letras (ABrL) na segunda-feira (21), em cerimônia realizada na sede do STM. Ela passou a ocupar a Cadeira V, cujo patrono é o escritor Euclides da Cunha, autor de Os Sertões.
O evento contou com a presença de ministros, magistrados, servidores, escritores e acadêmicos. A solenidade foi presidida pelo presidente da ABrL, Fabio de Sousa Coutinho, e pelo secretário Edmilson Caminha. Maria Elizabeth foi conduzida à mesa de honra pelos acadêmicos Vera Lúcia de Oliveira e Arando Godoy.
A saudação em nome da Academia foi feita pela escritora Lucília de Almeida Neves Delgado, que destacou a trajetória intelectual e profissional da ministra, ressaltando também a importância da presença feminina em espaços de produção intelectual e poder. Lucília mencionou ainda a produção bibliográfica da nova integrante, que inclui obras sobre Direito Constitucional e Internacional, além de estudos em homenagem a outras autoridades jurídicas.
Durante seu discurso, Maria Elizabeth destacou a influência de Euclides da Cunha, ressaltando sua formação multidisciplinar e a capacidade de interpretar as contradições brasileiras por meio da palavra. A ministra enfatizou que Os Sertões vai além da narrativa histórica, sendo uma reflexão profunda sobre o Brasil.
Ela também relacionou os desafios atuais, como desinformação, inteligência artificial e discursos de ódio, aos “sertões” contemporâneos, que se manifestam em espaços virtuais e sociais. Para a ministra, a Academia deve preservar sua tradição, mas também acompanhar as transformações da sociedade.
Maria Elizabeth apresentou sua trajetória acadêmica e profissional, destacando sua formação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, especialização em Direito Constitucional, mestrado em Ciências Jurídico-Políticas em Lisboa e doutorado pela UFMG. Sua carreira inclui atuação na Advocacia-Geral da União e no STM, onde chegou à presidência, marcando a presença feminina em uma instituição tradicionalmente masculina.
Além disso, a ministra é autora de diversas obras jurídicas e artigos científicos. Ao final do discurso, dedicou palavras às mulheres que conquistaram espaços na produção intelectual e na vida pública, afirmando que a equidade é um imperativo constitucional.
A posse na Academia Brasiliense de Letras representa para Maria Elizabeth um reconhecimento simbólico e o compromisso de enfrentar os “novos sertões” dos tempos atuais, inspirada pelo legado de Euclides da Cunha.
Fonte: www.stm.jus.br












