A história do Brasil durante a ditadura militar (1964-1985) revela complexas interações entre o setor privado e o regime. Um novo episódio do podcast 'Perdas e Danos' explora as ligações da multinacional suíça Nestlé com o regime militar brasileiro, destacando o papel de seus executivos, especialmente Gualter Mano, e suas contribuições financeiras para o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES).
Contribuições financeiras e apoio ao regime
Documentos do Arquivo Nacional revelam que Gualter Mano, então presidente da Nestlé Brasil, fez doações significativas ao IPES, um think tank que apoiou a preparação do golpe de 1964. Essas contribuições foram parte de um esforço coletivo de empresários que facilitaram a consolidação do regime militar no país.
Relações com a Operação Bandeirantes
Além do IPES, a Nestlé é mencionada no relatório final da Comissão Nacional da Verdade como uma das empresas que colaborou com a Operação Bandeirantes (OBAN), um dos principais mecanismos de tortura e repressão da ditadura. O relatório destaca um evento onde diversas empresas, incluindo a Nestlé, contribuíram financeiramente para sustentar essa operação.
Oswaldo Ballarin: o executivo influente
Oswaldo Ballarin, que ocupou altos cargos na Nestlé e na Brown Boveri simultaneamente, teve sua influência reconhecida por autoridades militares. Sua participação em eventos que beneficiaram o regime e seu trabalho em uma agência que atuava na vigilância de opositores são indicativos de como as relações empresariais se entrelaçaram com a repressão durante esse período.
A pesquisa e a revelação de vínculos
A pesquisadora Gabriella Lima, da Universidade de Lausanne, trouxe à tona informações sobre a atuação da Brown Boveri e seus vínculos com a ditadura, revelando detalhes sobre a agência de relações públicas que, sob o pretexto de consultoria, monitorava e perseguia opositores do regime.













